Histórias de Harry Krieger – III

Na década de 1960, Harry Krieger e seu primo Marco Aurélio Krieger começaram a fazer defesas de atletas no tribunal esportivo. Numa ocasião, um atleta do Carlos Renaux de Brusque, que havia sido expulso por agredir um adversário com um pontapé, foi levado a julgamento. Marco Aurélio, então, preparou um arrazoado em irretocável português, obediente a todos os parâmetros gramaticais, com algumas citações em latim, à época muito usadas na linguagem jurídica.

No tribunal, como auditor, tinha assento um conhecido torcedor do azzurra da capital, time do atleta agredido. O cidadão escutou silentemente a peroração do advogado e quando lhe foi dada a palavra para proferir o seu voto, disse sem pestanejar: “Tudo muito bonito, mas aqui nada ajuda. Esse latinório parece canto de igreja. O atleta em julgamento não sabe nada de latim e na verdade mandou um baita pontapé nas nádegas do adversário. Dessa forma, com latim e tudo, condeno-o”.

Os Krieger ficaram atônitos. Com a decisão, o atleta defendido foi suspenso por uma série de jogos, desfalcando a equipe brusquense nas partidas seguintes do campeonato. Restou-lhes rir e tentar explicar a inusitada decisão aos conterrâneos.

Ainda hoje, auditores da justiça desportiva geram polêmica (caso de Jonas Lopes).

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Fora da Elite

Após dois insucessos contra adversários diretos na tabela, com direito a um desmoralizante placar na noite de ontem (4 a 1 para o Goías na Ressacada), o Leão da Ilha selou seu destino para o ano que vem. Estará, na companhia do Figueirense, fora do primeiro nível do futebol brasileiro. Será a primeira vez desde o fatídico quadrangular final de 2001 que a capital catarinense terá clássico em disputa pela segunda divisão nacional.

Paga caro o Avaí por ter demorado a ajustar seu time no ano. Apesar do título estadual, a campanha não foi nada convincente até as rodadas finais, quando Cléber Santana assumiu o comando da equipe e o time passou a jogar um futebol vencedor. Após se recuperar de um início irregular e voltar a vencer, o jogador-chave da equipe, por interesse de terceiros, deixou os avaianos de mãos abanando e tomou rumo para outra cidade praiana do país.

Alívio para os torcedores alvinegros, que temiam a repetição do pesadelo de 2008. Conformismo para os torcedores azulões, que no fundo nunca acreditaram na classificação. Resta aos secadores florianopolitanos torcer contra o título do Cricíuma e pela não-classificação do Joinville. Até o ano que vem.

Carrasco do Avaí, Goiás segue firme no retorno à Série A.

Cortem os braços

Depois da polêmica da rodada do final de semana do Campeonato Brasileiro, onde um lance de toque de mão involuntário na área foi considerado pênalti para o Fluminense contra a Ponte Preta e lance similar não foi assinalado favorecendo o Atlético-MG contra o Sport, o episódio se repetiu na quarta-feira no jogo entre Bahia e Palmeiras.

É fato que um jogador ao tomar impulsão para rebater uma bola cruzada na área, instintivamente e submisso ao seu equilíbrio físico, não pode permanecer com os braços junto ao corpo. Nesse caso, se a bola chutada pelo adversário atingir o seu braço ou a sua mão, ainda que obtenha vantagem, não deve o árbitro apitar a penalidade. Isso é facilmente compreensível.

A marcação de pênalti nesse tipo de lance contraria o espírito da regra. Esta exige que o atleta intencionalmente use os braços ou as mãos para interceptar a trajetória da bola. Fora desse contexto, tudo não passa de vontade pessoal do árbitro da partida, que provavelmente está interessado no resultado do jogo ou deseja agradar terceiros. A polêmica deveria ser outra.

Bola na mão ou mão na bola?

Ilusão

Em Porto Alegre, diante do tropicante time do Internacional, após estar atrás no placar por duas vezes, o Figueirense conseguiu uma virada surpreendente, com gols aos 42 e 45 do segundo tempo, e se sagrou vitorioso como visitante pela segunda vez na competição (a outra vez na 16ª rodada contra o Sport). Mesmo com a vitória, o Figueira ainda necessita recuperar uma diferença de 7 pontos para o primeiro time fora do rebaixamento.

A vitória sobre o colorado amplia o campo de ilusão para o Figueirense, mas não o salva do rebaixamento. Não duvidem, o fato é meramente circunstancial. Jogamos contra um time em nítida decadência técnica, desmotivado. A torcida alvinegra não deve ficar ouriçada, pois o bicho vai pegar nos jogos que vem pela frente. As lamúrias ressurgirão e a gritaria contra dirigentes e atletas seguirá o seu curso normal. O resultado tem, contudo, um valor significante para o intrépido presidente Brillinger nessa sua tarefa de descascar o grande saco de abacaxis que lhe deixaram.

Aloísio (2) e Ronny marcaram os gols da inesperada vitória alvinegra.

Negócios, só negócios

Hoje pela manhã, em jogo que poucos aqui acompanharam, o Brasil venceu o Japão em mais um dos amistosos preparativos para a Copa 2014. Poupado das classificatórias por ser a sede do evento, o time brasileiro segue enfrentando adversários fracos em partidas sem qualquer emoção pelos cantos da Europa. Sob a desculpa de estarem ocupados com o campeonato nacional, os estádios brasileiros continuam sem receber a seleção principal com atletas que atuam no velho continente.

A Seleção Brasileira segue na trilha dos negócios, somente interessantes para a empresa multinacional árabe que administra os confrontos. Nós, “pobres e ignorantes” torcedores, temos que ouvir dirigentes e técnicos, e também alguns jornalistas, a dizer que tais partidas são necessárias pois precisamos avaliar alguns atletas. Nada mais fantasioso e irreal. À CBF só interessam resultados financeiros. O brasileiro precisa dar uma resposta forte a esses trapaceiros encastelados no comando do futebol nacional. Já passa da hora.

Corintianos fazem a festa na era Mano Menezes.

Campeonato Roto

O Campeonato Brasileiro caminha esburacado pela constante retirada de jogadores para as seleções nacionais, em flagrante desrespeito às associações que possuem direito sobre os atletas e que são a base do futebol. A CBF faz pouco caso da situação do calendário do futebol nacional, em evidente desacordo com as datas FIFA, medida exigida há muito pelos clubes e ligas da Europa.

Aqui no Brasil, nada parece mudar. É um verdadeiro caso de aproveitamento dos outros, sem contrapartidas e liso de justificativas aceitáveis. Faz-se tudo em nome da pátria, como pregam e afirmam os cínicos dirigentes da entidade nacional. Incompreensível que todos concordem e ninguém erga voz contrária e procure recursos para modificar esse assalto.

Mano Menezes desistiu de Fred e o Fluminense agradece.

Recomeço

Após uma vitória que o deixou a 5 pontos da lanterna da competição e manteve os mesmos 10 de distância da permanência, Ronny, autor de dois gols na partida, anunciou um recomeço para si e para a equipe. Um pouco tarde não? Talvez seja para o próximo ano, onde vitórias como mandante e contra times de pouca expressão serão necessárias para um almejado retorno à elite.

Espera-se que o atacante volte a atuar de forma convincente e de maneira regular, mas que a diretoria reformule o time, renovando todos os setores e se possível segurando alguns jogadores que possam ser úteis, como Ronny, visto que não contaremos com nossos atuais melhores, como Aloísio, Caio e possivelmente Túlio. Enquanto isso, Loco Abreu curte uma viagem a Mendoza, na Argentina, para assistir de pertinho o futebol de Messi. Alguém sabe o que esse ‘maluco’ veio fazer em Floripa?

Figueira segue na briga por fazer uma campanha melhor que a do Avaí no ano passado.

Vazio

Dia de semana, iminência de chuva, horário de máximo trânsito na ponte e nos arredores, adversário de pouca torcida e colega do ano que vem, retrospecto recente nada agradável e uma partida valendo nada senão o demérito da lanterna da competição. Eis a fórmula para o menor público do ano. Um estádio ermo de pessoas e, lamentavelmente, de futebol.

Para tanto basta superar (negativamente) os cerca de 5.100 atendentes das partidas contra Coritiba e Náutico, ou até mesmo os 5.200 do embate contra o próprio Atlético, pela Sulamericana. Aliás, o Campeonato Catarinense teve público mínimo no Scarpelli de 5.700 torcedores (Marcílio Dias). Contudo, o torcedor alvinegro costuma não decepcionar nesse quesito, espero pelo menos uns 3 mil bravos hoje à noite. Confesso que não serei um deles.

Torcida está decepcionada com a campanha.

Bravataria

Para um time dirigido por um técnico-aprendiz, desprovido de valores individuais, desfibrado, desinteressado e muito mal projetado no campo de jogo, não adianta prometer ou confirmar gratificação milionária (conforme o “bicho” oferecido pelo novo presidente em caso de permanência). É pura bravata, não surte efeito, não mexe com os brios de quem não tem brios. Deixa disso “Alfredo”!

O lugar do Figueirense é na segunda divisão, onde muitos são iguais e poucos se destacam do grupo. Time de cidade média (quem sabe pequena) não tem recursos financeiros e torcida para permanecer na divisão especial. É marca que não vende. Aliás, vários fatos tem demonstrado que o prestígio do Figueirense não passa de Tijucas e de Paulo Lopes. É pouco, convenhamos, para uma primeira divisão.

Presidente Wilfredo Brillinger acredita em milagres.

Baita Fiasco

Perder para o Atlético Mineiro em Belo Horizonte não é demérito. Apanhar uma tunda por seis a zero deixa corado qualquer boneco de barro, quanto menos a sofrida torcida alvinegra do Estreito.

O jogo de ontem teve o insistente estigma da fragilidade defensiva do Figueira, conhecida e cantada desde a primeira rodada. Incrível é ninguém ter tomado providência. O Deus-nos-acuda do nosso setor defensivo salta à vista. Sorte para o ex-craque.

Já é hora de falar a verdade. Nada nos salva. O papa-fila já está estacionado em frente ao Scarpelli. Que embarquem todos, técnico e jogadores, e boa viagem rumo ao infinito. Desapareçam. Deixem-nos em paz, por favor, clamam os torcedores.

Ronaldinho agradece ao Figueirense pela partida.